segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Porque a posse de bola é importante?

Porque enquanto nós temos a bola não sofremos golo!

Só por esta razão a posse de bola é algo importantíssimo, mas é muito mais do que isto, enquanto nós temos bola, estamos com o jogo na mão, marcamos o ritmo, decidimos os momentos, decidimos por onde queremos atacar e algo muito importante se tivermos sucessivamente com bola a confiança colectiva e individual aumenta a cada passe. Com bola corremos menos, correndo menos, o desgaste é menor e a concentração será sempre maior. Sem bola temos obrigatoriamente de procurar ganha-la, e se esse esforço por vezes é tremendo, porque quando a ganhamos não temos preocupação de a manter.

Isto leva-me claramente para duas segundas partes e para gestões distintas do jogo. Desde já há diferenças que tem de ser salvaguardadas. A primeira é que são duas modalidades diferentes, a segunda é que o trabalho de uma e outra equipa técnica tem trabalhos com diferentes durações.

Talvez tenha assistido no sábado à tarde a uma das melhores partidas de futsal que vi das meninas do Castanheira, sobretudo porque vi algo que eu tinha dificuldade em acreditar, gestão em posse.
A gestão que as atletas do Castanheira tiveram na segunda parte do jogo foi de uma maturidade tremenda, gestão de posse de uma equipa que está a ganhar é na maioria das vezes muito difícil, mas a verdade é que o fizeram com muita classe e na maioria dos momentos tomaram a decisão mais acertada. Normalmente isto é possível com movimentos tão simples como o passe e a desmarcação, mas são esses momentos que muitos jogadores/treinadores querem os complicar, um dos princípios para o jogo colectivo é cada jogador perceber que ao passar a bola deverá imediatamente dar uma solução ao seu companheiro que permita a equipa continuar com a posse de bola, já o jogador que tem a bola tem de ter a confiança que a sua equipa lhe proporcionou boas soluções para que tenha boas decisões para a equipa continuar com a bola. Uma equipa que faz três, quatro, cinco, seis passes correctos, sabe que vai conseguir fazer quinze, dezasseis, dezassete, e essa mesma equipa ficará por si só mais confiante, e sobretudo os seus jogadores ficam muito mais confiantes na equipa.

No domingo tive por outro lado a oportunidade de ver uma gestão distinta, talvez uma gestão mais condizente com o que estamos acostumados a ver mas a que eu menos concordo. O Courense na Barca simplesmente abdicou de jogar na segunda parte, encostou a ultima linha na área, e jogou muitas vezes com 11 no ultimo terço, os alas baixaram para laterais e formaram assim um bloco maciço. É uma estratégia valida mas que coloca os jogadores a uma situação que eles próprios não gostam, estar sempre sem bola. Para além disso uma equipa que não tenha em mente a posse e a construção de bola, vai em muitas situações de jogo que poderia e deveria construir, destruir e deste modo entregar facilmente a bola ao adversário. Gosto de olhar para o jogo e entrar na cabeça dos atletas, e ontem quando via os jogadores a executar, vi sempre uma excessiva preocupação pela não construção e houve momentos que era bem fácil construir.

Agora vejamos o jogo pelo outro lado. Eu treino a Barca, tenho a equipa adversaria no ultimo terço de terreno, como vou fazer para chegar ao golo? Fácil, vou bombear bolas para a grande área à espera que uma delas entre.
Bem, pensando melhor talvez não seja uma boa ideia, e que tal pensar num jogo distinto, ter posse para criar roturas, se os alas do Courense estão a fechar na linha talvez essa zona esteja demasiada povoada, mas não me parece um grande problema estar povoada demasiado, se essa parte está povoada há espaço na zona vital do campo, o meio, porque não tentar criar roturas com o avançado? Que tal o avançado sair da sua zona dar uma linha de passe no espaço na zona 6 do Courense e um dos alas entrar em diagonal no espaço entre o lateral e o central que o avançado criou, podendo ainda cair o médio/10 na zona do ponta de lança. Isto seria um simples movimento ofensivo que eu não vi uma única vez criado pelo Ponte da Barca, alias a única coisa que vi foi algo que é muito pouco para alguém que já leva mais de um ano de trabalho.

1 comentário:

luis nogueira disse...

já hoje toquei nas duas partidas a que te referes e não podia estar mais de acordo.....
a posse é sem duvida o momento mais importante do jogo e será sempre complicado para mim perceber como alguns"treinadores" podem abdicar dela em troca de uma posição de " espectador" ao jogo.
porque ter a bola permite-nos sempre gerir os ritmos e as intensidades do jogo criar ou procurar a melhor solução para cada momento do mesmo .
mas tu sabes que ter bola é uma virtude para os mais pacientes e nem todos os treinadores a tem.
e sem duvida que sendo eu um adepto incondicional da posse e gestão da mesma me é muito fácil concordar com esta tua ideia de jogo.
porque insisto e repito um pouco as tuas palavras, o futebol é um jogo simples onde o passe e a recepção são o mais importante de se fazer mas ao mesmo tempo o mais complicado de se aplicar num jogo, seja por que quem efetua não tinha a melhor solução ou porque quem recebe não deu a melhor solução.com isto digo que adoro o jogo em posse e não mudarei nunca esta filosofia.